SYRINX

Syrinx … a flauta … ou a ninfa? Quando o amor resolve materializar-se em Música não existem tais distinções ou limites. Se um dia, você quiser escapar do abraço do Amor, ele irá perseguí-lo, tocá-lo… e talvez seu corpo ganhe curvas de violino, e seus tímpanos ressoem alto…

Syrinx era ninfa, que corria na floresta… feito uma caçadora, seguidora da Deusa Artemis. Caçadores não têm pulso para Música nem ouvidos para o Amor, eles miram, flecham e depois… nada, até que o próximo alvo se apresente. E Syrinx era assim… linda e certeira feito uma flecha de caça. Aguda, como só os olhos podem ser … ouvidos não são assim, eles são expansivos.

Eis que um dia Syrinx estava na floresta, caçando um bicho, um desejo, uma coisa, um sonho. Lá estava ela, com seus olhos agudos e suas flechas, pronta para o combate. Porém, sua pele desavisada não percebeu quando, de caçadora…ela transformara-se em caça. Havia um segundo par de olhos certeiros no jogo, ávidos para possuir tanta beleza e tamanha liberdade selvagem. Eram os olhos de Pan, o deus meio homem meio bode que guardava aquelas redondezas.

Ele mirava, embriagado, a maravilha diante de seus olhos… e movido por desejos de bode, aproximou-se da ninfa. Ninfas, como o bom feminino manda, são fluidas, e Pan queria possuí-la com suas patas de bicho. Não é preciso dizer, que a abordagem foi mal sucedida… o deus foi frustrado em suas intenções.

Porém, o masculino não é dado a desistências… baseado em sua infame crença de que talvez, o Não seja um Sim escrito com outras letras. E movido por tal ideia… manteve-se insistente em suas intenções.

Sem ter o que fazer, diante daquele ser tosco e duro feito porta, … Syrinx correu, desembestada, floresta à dentro… para tentar escapar daquele arroubo de paixão. Correu… e De repente, deparou-se com um rio… era o fim.

Lembrou-se das ninfas que habitavam aquelas águas e decidiu pedir-lhes ajuda:

“Me salvem! Eis que o Amor em forma de bode me persegue! Acudam!”

As ninfas, compadecidas do tormento da companheira, a trouxeram para as águas e a transformaram num punhado de bambus. Isto sim, iria dar um jeito naquele deus louco e desvairado de Amor.

Pan, ao alcançar o rio, sentiu uma dor aguda no peito ao perceber que sua amada… agora, era um punhado de juncos ocos. E suspirou profundo de tristeza…

Mas o Amor… transforma tudo, até a tristeza ganha uma cor inexplicável…

Esse suspiro reverberou por dentro do bambu e fez com que uma melodia doída, e misteriosa vibrasse. Aquilo animou o coração dele … sua amada, respondia, de alguma forma, seu  esforço de amor.

Cortou os juncos e fez uma flauta…

Sempre que a saudade é grande, ele vai para a beira do rio… tocar sua bela Syrinx, que ao resistir ao abraço do Amor, padeceu ninfa e foi transmutada em Música, um grande e calmo suspiro… que acalma a ausência que aperta o coração, atrevido e amoroso de Pan.

… e este foi o único casamento possível entre o deus meio bode meio homem e a ninfa caçadora, sem tempo e ouvidos para o Amor.

 

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Sobre BruxaMustang

Eu sou eu. Já uma amiga, me disse que sou uma acidez que refresca.
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