A escalada do “insucesso”

Nesses últimos tempos eu ando pensando sobre a minha vida e o que fiz dela nestes últimos 34 anos. E cheguei à conclusão de que sou um sucesso em não ter sucesso algum. É meio paradoxal e anti mercadológico pensar em mim nestes termos, mas venhamos e convenhamos: eu sou daquelas pessoas que têm mestria em acelerar muito o carro com o freio de mão puxado e, quando é a hora de arrancar, ou o carro morre, ou queimei todo o combustível, ou qualquer outro motivo… o carro não vai.

Claro que se eu olhar para o meu “glorioso passado” de insucessos bem sucedidos poderia dizer, que como qualquer outro humano, tive as minhas conquistas: eu fiz graduação, fiz mestrado, falo duas línguas (ok! tem gente que fala umas 4, mas enfim … estou falando das minhas coisas), consegui tirar minha cidadania italiana, com a qual sonhei um bocado de tempo (foram oito anos matutando e sonhando com o passaporte vermelho), morei na Europa (pra ter uma vidinha de cão lavando prato, claro!), sou artista, dizem que por isso, inclusive, “trabalho com o que amo”, mas eu descobri que há controvérsias…

Enfim, eu fiz umas coisas, eu tenho um curriculum vitae LATTES com sei lá quantos concertos e projetos artísticos (já que vivo em Portugal, e gostaria que os portugueses lessem meus textos, pensem na versão disto na plataforma do FCT). Eu posso contar proezas como: fui aprovada para o mestrado da Royal College of Music, Royal Academy of Music e Guildhall School of Music and Drama sei lá… umas 4 vezes? Mas claro… eu fiz tudo sem pensar direito e daí … não tinha cash pra pagar. Acelerei o carro… mas ele não andou. Quando o assunto é sucesso… cara,  me sinto uma completa farsa!

Vou explicar o porquê: tenho muita facilidade para aprender, sou extremamente intuitiva, tenho boa memória (para o que me interessa, óbvio!), tenho muito carisma com as pessoas, sou obrigada a admitir que sou uma excelente artista (há vídeos no Youtube para quem quiser averiguar e julgar por si… apesar que o julgamento alheio não me importa, sinceramente). Para completar, tenho uma mente que parece um “metamorfo sacana”: mesmo que eu não conheça o assunto, ou a pessoa… eu consigo entrar no universo alheio com uma facilidade absurda. Eu pareço uma máquina de tomografia computadorizada ambulante: ou eu vejo ou as pessoas simplesmente se revelam pra mim. É simples assim. Ou seja: eu ouço as vidas das pessoas no ponto de ônibus, na fila do supermercado. Elas começam a contar suas histórias, seus segredos. Eu converso com físicos, químicos, matemáticos, advogados sobre suas pesquisas e trabalhos… sendo que meu assunto mesmo é música… vai entender?

Mas voltando ao assunto, eu sou inteligente e a minha “esperteza” é tola. E é tola pois eu não faço muito esforço para ser inteligente, ou “saber” as coisas. Se eu disser que fiz como meus colegas músicos que estudavam horas e horas a fio, eu estarei mentindo, e nem sei  como é que conseguia tocar no exame final na faculdade e tirar nota máxima. Não posso dizer também que passei tempo debruçada sobre livros para aprender o que aprendi, seja na escrita acadêmica (que já me rendeu alguns pequenos troféus), seja na escrita informal, não, não…  ou que estudei psicologia, ou qualquer coisa do gênero. A coisa simplesmente vem no momento exato (sempre no AGORA) e eu não sei explicar como ou “porquê”.

“GÊNIO!!!!”,  alguns devem pensar. Gênio porra nenhuma! Pois eu tenho essa facilidade e poderia elencar tantas outras aqui, mas quando o assunto é medir grana na conta bancária, imóveis… ou qualquer outro “achievement”, amiga(o), o insucesso chega nem é batendo na porta, mas é arrombando-a mesmo!!!! Não tenho onde cair morta (quer dizer, tenho, pois pra cair morto basta ter um chão e desfalecer ali mesmo… não precisa ter casa própria pra isso), não tenho dinheiro guardado. Dinheiro na minha mão, sofre calefação instantânea. Não tenho visão de business para a minha vida, um plano B, C, D. Mas se bem que já conversei com muita gente nessa vida, dando ideias para as suas ideias e incentivando planos, e que para minha surpresa o negócio delas vai “muito bem, obrigado!”.

Dizem que nasci com Quiron em Touro na casa II. Isso é astrologia, outra coisa que também sei fazer: ler mapa astral. O mito de Quiron fala do “curador ferido”que, pra resumir aqui, diz que o cara era um puta médico curandeiro, que curava deus e o mundo, mas que tinha uma ferida no tornozelo (ou na perna, não me lembro) que não sarava nunca. Todo mundo, de acordo com a astrologia, tem esse Quiron de um jeito, em algum aspecto da vida. No meu caso, tem a ver com valor. Eu sei bem o valor do outro, sei ver a riqueza alheia e me maravilhar com ela (lembra da “máquina de tomografia computadorizada”?), porém, quando o assunto é multiplicar meus tesouros, sou que nem o cara da parábola dos talentos: eu enterro os meus, não sei fazer eles virarem dinheiro, sucesso, fama. Vivo eles no momento e pronto, basta. Não sei capitalizar a coisa, confesso que tenho uma certa preguiça nesse sentido.

Acho que no fim, meu sucesso maior é existir e viver a vida de um jeito bem fora da caixa em muitos sentidos. Tenho tempo para dedicar a mim, a estar comigo, às minhas descobertas e maluquices, já que não sendo um “sucesso”, não tenho uma agenda cheia de compromissos, projetos, metas, etc.

Digo isso tudo porque recentemente, descobri uma riqueza: eu tenho uma reserva infinita de tempo livre, de histórias de vida muito doidas, de descobertas meio surreais e vendo como o mundo anda, meio hipnótico e convulsivo com tanta “normose”(a doença da normalidade), “felicidade de selfie”, “realizações de facebook”, pensei que uma vida de insucessos sentida na carne, com muito sucesso poderia valer algo ou pelo menos divertir as outras pessoas. Meu tempo e a minha personalidade pouco usual poderiam valer dinheiro e as pessoas poderiam querer pagar para estar comigo. Por dois motivos: para serem por alguns minutos o que elas realmente são, e para dar umas boas risadas ou até chorar de emoção ao descobrir o quão ridícula pode ser a nossa vida. Essa é, basicamente a minha visão de coaching para o “sucesso”.

Uma conhecida me aconselhou que, para me fazer conhecida eu poderia escrever em um blog. Eu já tinha este blog, no qual eu contava peripécias da minha vida, mas naquela época eu ainda achava que poderia ser um grande “sucesso”… então não serve muito para o que quero agora. Então resolvi  retomar o meu blog, que andava em estado de hibernação e começar minha escalada … e começo por este texto.

Esta é a minha primeira tentativa de tornar meus aparentes “insucessos” em um possível sucesso. E, de agora pra frente, vou postando coisas aleatórias por aqui. Até conseguir meu intento, ou, pelo menos, umas boas risadas com o que surgir de mais essa empreitada.

 

 

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Sobre BruxaMustang

Eu sou eu. Já uma amiga, me disse que sou uma acidez que refresca.
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2 respostas a A escalada do “insucesso”

  1. Muito bom!!!
    Os peixes e a sua capacidade empática! we are empathetic bad asses!

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